sábado, 3 de junho de 2017

Ontem à noite, a noite tava fria, tudo queimava, nada aquecia.

Você me causou danos irreparáveis
E te ver naquele breu noite passada
Desenraizou sensações profundas em mim
Enquanto Humberto Gessinger cantava
Que aquela noite, aquela noite estava fria
Tudo em mim doía
Eu gostei tanto de você, Dionísio
Para terminar assim
Me faltando luz, palavras e sossego
Você me olhou 
como quem olha e se arrepende 
um nanossegundo depois
Eu te acompanhei de fita
Vi você me ver fingindo que não via
Vi você destilar encantamentos em outros ouvidos
Vi uma mão pousar na sua perna
Outra mão acariciando seu ombro
Vi você tentando ser grande
Mesmo sendo tão parco e diminuto
Vi as luzes daquele bar refletindo  
sua beleza ascendente
Me vi caindo
Por que você não vê?


Título: Piano bar - Engenheiros do Hawaii

segunda-feira, 29 de maio de 2017

E vai ser apenas um incômodo primaveril

Depois que eu comecei a estudar Letras
Me sinto menos poética
Atrevo-me a dizer que meu eu lírico
Saiu para passear e perdeu o rumo de casa

São tantas teorias 
querendo desmascarar a utopia

Os versos decassílabos
São chatíssimos quando paramos para contar
E os docentes tão insensíveis

Se lerem isso
Bem capaz de eu perder 1,5 
só pela minha ousadia
De achar que escrevo alguma coisa

Eu perdi a paz
Eu perdi você
Foi por causa dos meus lábios desidratados?
Ou foi por que você não suportaria 
se preocupar com outro umbigo além do seu?

Você me perdeu
Por que eu sou fantasiosa demais?
Ou por que quis me perder?

Noite passada eu chorei
Encontrei um livro rasgado
Depois chorei porque meu coração 
está do mesmo estado

Eu finjo todos os dias desde aquele dia
Digo que não foi nada além de uma expectativa boba

Mas você tripudiou
lançou seu silêncio com tanto desdém

Eu quero esquecer
Parar de escrever sobre isso

Eu quero poder caminhar na rua da sua casa
Sem lembrar que lá é a sua morada
Eu quero fazer aniversário não sabendo 
que você também faz no mesmo dia

Eu quero fechar os olhos e apagar tudo
Eu quero não desviar assuntos e poemas
em direção a você.





segunda-feira, 22 de maio de 2017

Me morde, me assopra. Me faz de abrigo.

Segure minha mão
Vamos sentar naqueles degraus gelados
Você não consegue parar de falar 
E eu vou me apaixonar de novo

Suas pernas tatuadas emboscaram
minha pernas pálidas

Os mesmos olhos de azeviche 
outra vez
Meu encantamento noturno

Continuamos a percorrer essas ruas largas
Não larga a minha mão

Fale sobre Montessori
Sobre a minha poesia
Fale sobre o quanto as árvores parecem mais bonitas 
nas estradas quando você vem me ver

Quero te levar na feira
Comprar tâmaras de manhãzinha 
na praça central

Me beija
Deixa-me dizer a eles 
que vou te casar comigo

Meu menino
Meu João.



quarta-feira, 3 de maio de 2017

É bom se lembrar de respirar de novo, de novo.

Tu és a minha paixão favorita
Te escrevi versos silenciosos e gritantes 
Durante esses dois anos

Te envolvi na minha esperança de reciprocidade
Te banhei na mitologia
Te chamei de Dionísio
E hoje tu nem lembras o meu nome

A fachada da loja que tanto citei nos meus poemas
Hoje é de outra cor
E não me dói mais
Mas é tudo tão estranho

Eu acho que vou te querer toda minha vida
Quando estiver gostando de alguém 
E não mais escrever

E todas as vezes que um cara me magoar
Vou continuar lembrando de ti
Como alguém que soube me olhar de verdade
E me despiu dentro daquele bar abarrotado de gente
Somente por me reconhecer tecelã mulher poesia

Tu me tocaste
E ninguém vai saber o quão inteira fui na ilusão que eu sentia

Teus olhos ainda são os mais lindos dessa cidade

Feliz aniversário, meu bem.



terça-feira, 11 de abril de 2017

Obrigada, por repugnar meus frágeis sentimentos

   Eu deveria ter pedido para você me escutar naquela noite, sentado ao meu lado na cama. Me escutar como se eu fosse uma pessoa que você acabara de conhecer no supermercado, igualzinho naqueles clichês americanos. Aonde um dos personagens precisam discorrer algo seríssimo, senão explode. Precisava que você me escutasse dizer que eu queria que alguém gostasse de mim sem medo. Sem medo do piegas, sem medo de lembrar de mim no meio da tarde e me enviar uma mensagem, 'lembrei de você e você deve saber'. 
   Eu gostaria de ter dito que mereço mais do que compartilhar risos pós sexo e que quero gostar de alguém sem medo de ser ridícula, eu devia mesmo ter te dito todas essas coisas e ter te tirado para amigo depois de todas as transas fervorosas, porque no fundo eu sabia, você não queria e não podia me dar mais que isso. Mais que suores dissolvidos num disfarce de 'nos vemos durante a semana', sabendo que não nos veríamos não. 
   Você não sabia abreviar a sua vontade de mim me dizendo bom dia, isso não cabe nessa era de sentimentos líquidos, como previu Bauman. E é uma pena. A dúvida do se azucrina a minha cabeça, talvez, se eu tivesse te dito tudo, eu não teria te tirado desse modo brusco da minha vida. A máxima de 'quem se importa procura' é verídica. Eu te tirei da minha vida e você se distraiu demais para me procurar. Sim, no fundo eu sabia.


























Imagem: Tina Maria Elena

domingo, 9 de abril de 2017

Eu esvazio a esperança. Dessa dança eu entendo. Remendo deveria ser meu sobrenome.

Queria não me magoar 
tentando te agredir

Beijando outras bocas 
enquanto você lava os seus lençóis 
para me esquecer depressa

Você não me diz mais nada
Eu também não digo

Ontem li uma frase
Não sei de quem é

Ínfima
Ela me lembrou do
Cansaço de todas as hipóteses

Eu só quero me apaixonar por alguém 
que faça tocar Cyndi Lauper 
dentro do meu coração.

Título: Fábio Chap

quarta-feira, 29 de março de 2017

Me sorria no escuro a tristeza mais ornamental, não é mesmo, Dionísio?

Deu vontade de lembrar
Mesmo que eu escreva coisas indizíveis
ou me repita de novo
Eu sempre decoro com flores e perfume doce
quem me fere com amargura

Eu lembro dos seus olhos cintilando 
na mísera luz daquele banheiro
Enquanto eu lutava para acreditar que realmente
podia te tocar a qualquer minuto

Entre mãos
e braços
Beijos e abraços
Plagiando Leoni
Eu cuidaria sempre de você

Não me importando 
com qualquer paixão primaveril 
que possa me acometer pelo meio do caminho

Aquele Outro 
um dia me perguntou
Se eu iria se você chamasse
Eu iria na hora
Você sabe

Porque só te olhando
eu me sinto viva

Pequena cortesã
de sentimentos majestosos
Assim me faço tua
me sentindo inteira

Na mentira
No desejo
No precipício.